MEUS PARCEIROS

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VISÃO DO NATAL

“E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2).

Hoje se fala muito em visão. Visão sistêmica, visão holística, visão da empresa, visão da igreja. Mas o que de fato se quer dizer com a palavra visão? Na abordagem dos administradores de empresas visão é tudo aquilo que constitui uma expectativa, um desejo, um sonho plausível. Ou seja, tudo aquilo que ainda não se vê, mas que é possível de concretização.

Em algumas situações as coisas que não vemos são mais importantes do que as que vemos. Paulo ensina que se esperamos o que ainda não vemos com paciência o aguardamos. Segundo o apostolo, não devemos focar nas “coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (Rm 8.25 e 2Co 4.18). Portanto as coisas eternas, como a graça, o amor, o perdão que não se veem são mais importantes dos as que se vêem. Elas dão sustentabilidade aos que crêem nos momentos mais difíceis da existência humana.

Fico pensando sobre a visão dos lideres religiosos diante dos eventos do natal. Será que algum deles percebeu que o Messias estava para nascer? O que é que os moradores de Belém pensavam sobre aquelas pessoas chegando e lotando as hospedarias da cidade? Será que em algum momento se lembraram da profecia de Miquéias e discerniram que entre aquelas pessoas estava a que seria instrumento de Deus para dar a luz ao Salvador? Qual seria a reação do dono do estábulo se percebesse que o menino que nascera ali era o filho de Deus, o rei eterno de Israel? É certo que Deus usou a falta de visão de todos os habitantes daquela região para que seu propósito perfeito se realizasse.

Hoje a visão de muitos é de um natal apenas mercantilista. Época de se vender bastante, de ganhar muito dinheiro. Para outros é uma oportunidade de reunir a família, comer bem e beber bastante. Para uma minoria, o natal é nostálgico e deprimente. Mas alguns conseguem ir além das luzes, do brilho, das cores, das festas, da agitação, da nostalgia e perceber que Deus ainda trabalha de forma não visível em nosso mundo. Estas pessoas mantêm os olhos espirituais bem abertos e enxergam a mão de Deus por trás dos eventos natalinos e anunciam, com ousadia, a graça e o amor de Deus àqueles que ainda não o conhecem.

Neste Natal, nosso desejo e oração é que seus olhos espirituais fiquem bem abertos para ver, nas comemorações do nascimento do menino Jesus, a maravilha e a grandeza do amor de Deus por você. Amém!

Soli Deo Gloria!
Rev. Ezequiel Luz

sábado, 5 de dezembro de 2009

UM NÃO À BANALIZAÇÃO DA FÉ

“Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda? E quem poderá subsistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros” (Ml 3.2).


Na semana que passou fomos bombardeados com as imagens onde aparecem o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) e seus aliados, recebendo dinheiro e guardando maços de notas em bolsas, bolsos, cuecas e até dentro de meias. Dentre as imagens, a mais degradante para mim foi aquela em que o deputado Rubens César Brunelli (PSC), aparece orando com o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM) e com Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda e colaborador da PF, após o recebimento de propina: "Pai, quero te agradecer por estarmos aqui. Sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos. Mas o teu sangue nos purifica [...] Somos gratos pela vida do Durval, por ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para nossa cidade [...] Nós precisamos dessa tua cobertura, dessa tua graça, da tua sabedoria, [...] todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o senhor nunca falha... [...] O senhor prevalece", diz Brunelli durante a oração.

Estamos no advento. Tempo em que somos convidados a refletir sobre o nascimento de Jesus e sobre sua segunda vinda. Lamento que a fé esteja tão banalizada a tal ponto de não mais ser usada para servir a Deus e ao próximo. A fé hoje é usada para servir-se do próximo em beneficio pessoal. Por esta razão o texto do profeta Malaquias é tão apropriado para os nossos dias. Ele faz alusão à vinda do Messias e pergunta: Quem poderá agüentar o dia em que ele vier? Ele será como o fogo, para purificar; será como o sabão, para lavar. O profeta diz ainda que ele se assentará para purificar os religiosos como quem purifica e refina a prata e o ouro no fogo. Somente assim eles poderão oferecer um culto como Deus exige (Ml 3.1-4).

Precisamos que o Messias venha. Não mais como um menino na manjedoura, mas como juiz e rei. Precisamos que o Messias venha para separar as ovelhas dos bodes. Precisamos que o Messias venha para purificar sua igreja com fogo e lavar os membros com sabão. Mas enquanto o Messias não chega, a igreja, o remanescente fiel, precisa manifestar a sua indignação com o que estão fazendo com a fé. A igreja precisa proclamar o juízo como fez Malaquias, e anunciar que se não houver arrependimento todos perecerão. A Igreja precisa dizer um não bem firme à banalização da fé. Somente assim a oração e o culto estarão a serviço de Deus e do próximo.
Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

TEMPUS FUGIT

"Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória" (Lc 21.27).


Já estamos novamente envolvidos com as comemorações natalinas e de final de ano. Hoje é o primeiro Domingo de Advento e inicia-se mais um ano cristão. Novamente nos preparamos para o anúncio da chegada de Jesus, o Salvador, para um tempo de meditação, arrependimento, perdão e comunhão. De fato o tempo voa, passa, foge, o “tempus fugit”. Mas o Senhor do Universo mantém sua promessa de que “enquanto o mundo existir, sempre haverá semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gn 8.22). Em outras palavras sempre haverá um fim e um começo. Este é o ciclo da vida.

Como estamos em mais um começo devemos nos alegrar com as novas possibilidades que se abrem. O Deus Emanuel quer orientar nossa vida. Por esta razão ele exorta aqueles que dizem: “Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios e ganhando muito dinheiro!” Quem faz uma afirmação como esta não sabe como será a vida amanhã. Não é só o tempo que voa, nós também voamos, somos como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. Sendo assim devemos dizer: “Se Deus quiser, estaremos vivos e faremos isto ou aquilo.” (Tg 4.13-15).

Se o “tempus fugit”, passa rápido, isto significa que estamos cada vez mais perto do dia em que todo olho verá o filho do homem vindo numa nuvem com poder e glória. Nós vivemos entre dois adventos. Um é histórico. Jesus nasceu em uma manjedoura, em Belém da Judéia nos dias do Rei Herodes (Mt 2.1). O outro é escatológico, anunciado pelos textos do Novo Testamento e apontando para a volta de Jesus no final dos tempos. Estamos cada vez mais distantes do advento histórico e cada vez mais próximos do advento escatológico.Portanto, sabendo que o “tempus fugit”, devemos nos preparar para as comemorações do advento histórico e nos preparar para o encontro no advento escatológico. Devemos também se alegrar com a certeza que Jesus continua chegando através da celebração do culto, da exposição da palavra, da Santa Ceia e do batismo. Advento sempre acontece quando pessoas se reúnem e respondem com fidelidade o chamado para servir a Deus servindo às pessoas.
Soli Deo Glória
Rev. Ezequiel Luz

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MUROS QUE PRECISAM CAIR

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! (Mt 23:27)


O mundo comemorou os 20 anos da queda do Muro de Berlim no inicio do mês. Mas há ainda outros muros que precisam cair. O drama vivido pela estudante Geisy Arruda é prova dessa necessidade. Os pais, migrantes nordestinos e que moram na periferia de Diadema, investiram com muito sacrifício nos estudos da filha. Imaginavam que no ambiente universitário ela estaria cercada de pessoas sensatas e equilibradas. Mas o que viram foi uma humilhação imposta à filha. Os alunos da universidade com urros e berros encurralaram, ameaçaram de estupro e quase lincharam a estudante. O motivo para tanta truculência foi um vestido curto.

Este episódio demonstra que o muro do preconceito ainda é muito forte. Preconceito com o negro, com o índio, com a mulher, mas principalmente com o pobre. Provavelmente se Geisy fosse filha de uma família abastada não seria tratada como foi.

Mostra também que o muro da intolerância continua em pé. Temos o direito de discordar das idéias, do comportamento, da vestimenta do outro, mas não temos o direito de desrespeitar a pessoa humana que pensa, age ou se veste de forma diferente. Somente os intolerantes, acostumados a julgar os outros pela aparência, é que marcam as pessoas e as perseguem.

O episódio revela também o muro da hipocrisia. O próprio Jesus Cristo enfrentou lideres religiosos do seu tempo chamando-os de hipócritas. (Mt 23.27). Há um provérbio antigo que resume com precisão a afirmação de Jesus: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. A direção da Unibam chegou a justificar a atitude dos estudantes dizendo que a aluna Geisy usava roupas provocativas e imorais. Mas alunos, professores e diretores, quando em casa, veem pela tevê mulheres e homens com trajes minúsculos rebolando, imagens sensuais nas novelas e pornografia disfarçadas nos reality shows e não saem pelas ruas protestando de forma violenta contra as emissoras de tevê.

Creio que a melhor maneira para derrubar esses muros é viver o que a Bíblia ensina. Ela nos chama para amar o próximo de forma incondicional. Não apenas aqueles do nosso grupinho, mas a todas as pessoas. Ela também nos chama para perdoar uns aos outros e a sermos misericordiosos. E ainda nos chama a andarmos na luz, isto é, a sermos transparentes, sem máscaras. Só atendendo a esses chamados os muros do preconceito, da intolerância e da hipocrisia serão derrubados. Amém!




Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ESCONDER NÃO RESOLVE

“Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados” (Sl 32.5).

Fiquei indignado com as imagens das câmeras de segurança, que registraram o assassinato do coordenador social do AfroReggae, Evandro João da Silva, no início da madrugada de domingo, dia 18 de outubro, ao reagir a um assalto no centro da cidade do Rio de Janeiro. As mesmas câmeras de segurança registraram também a presença de dois policiais militares no local, que não prestaram socorro à vítima, e ainda chegaram a abordar os dois assaltantes responsáveis pelo crime, mas depois os liberaram, ficando com um par de tênis e uma jaqueta de Evandro.

Mais indignado fiquei quando na tarde de quarta-feira, 28 de outubro, assisti pela tevê a chegada do capitão Denis Leonardi Nogueira Bizarro e do cabo Marcos de Oliveira Salles, ao distrito policial para fazerem o reconhecimento de um dos suspeitos pelo crime. O capitão, diante da presença da imprensa, usou uma Bíblia para esconder o rosto.

Esta imagem me levou a pensar sobre o uso da Bíblia nos dias atuais. Alguns usam o Livro Sagrado para defenderem a busca por prosperidade, sucesso, poder, reconhecimento, fama. Outros a usam pra defender suas ideais e doutrinas. Há também aqueles que a usam para condenar quem age ou pensa diferente do seu grupo religioso. E agora descubro mais um uso. A Bíblia usada para esconder quem comete um crime.

Todos esses usos contrariam a própria Bíblia. Nela encontramos a afirmação de que não devemos amar o mundo nem o que há no mundo (1ª Jo 2.15,16). E os valores como prosperidade, sucesso, poder, reconhecimento, fama, defender, condenar são próprios do mundo. A Bíblia não esconde os erros e pecados dos seus personagens. Ela revela os erros de Moisés, de Davi, do povo hebreu, dos reis, dos profetas, dos sacerdotes, de Paulo, da igreja de Corinto. A Bíblia não esconde, ao contrário, revela a condição de pecador condenado do homem e aponta o caminho da salvação. Tentar esconder atrás da Bíblia não resolve nada.

A leitura das Escrituras deve levar cada um de nós a assumir a culpa pelo pecado, ao arrependimento, e à aceitação da graça do perdão revelado em Cristo Jesus. Agindo assim nossa consciência terá paz.
Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ÀS VEZES É PRECISO LEVAR PEDRADA

Um jovem bem sucedido dirigia em alta velocidade o seu novo carrão. De repente, uma pedra atingiu a porta lateral do seu carro! Freou bruscamente e deu ré até o lugar de onde teria vindo a pedra. Saltou do carro, pegou asperamente uma criança, empurrando-a contra um veículo estacionado e gritou:
— Qual é a sua? Por que fez isso? Quem é você? Que besteira você pensa que está fazendo? Este é um carro novo e caro! Aquela pedra que você jogou vai custar-me muito dinheiro. Por que você fez isto?
Disse o menino, implorando:
— Por favor, senhor, desculpe-me, eu não sabia mais o que fazer! Ninguém estava disposto a parar e atender-me neste local.
Lágrimas escorriam dos olhos do garoto enquanto apontava na direção dos carros estacionados, e continuou:
— É meu irmão. Ele desceu sem freio, caiu de sua cadeira de rodas e não consigo levantá-lo. Ele está machucado e é muito pesado para mim. O senhor poderia ajudar-me a recolocá-lo na cadeira?
O jovem motorista, comovido, dirigiu-se ao jovenzinho, recolocando-o em sua cadeira de rodas. A seguir, tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões verificando se tudo estava bem.
— Muito obrigado e que Deus possa abençoá-lo! Perdoe-me pelo estrago.
O homem viu então o menino distanciar-se, empurrando o irmão paraplégico em direção a sua casa. Foi um longo caminho até o carro. Um longo caminho de volta.
Ele jamais consertou aquela porta do carro. Deixou amassado para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida, a ponto de que alguma criança precise atirar uma pedra para obter a sua atenção.
Será que isto não tem ocorrido nas nossas igrejas? Na complexidade da nossa vida, no pedestal do ser adulto, estamos sempre preocupados em como falar, vestir, andar. Vivemos com tanta pressa, almejando o céu, que muitas vezes deixamos os pequeninos para trás. Esquecemo-nos que são vidas inteiras pela frente, páginas em branco.
É nossa responsabilidade preenchê-las com os preceitos divinos, para que aprendam e nunca de desviem do Caminho Eterno. Na maioria das vezes estamos tão preocupados em ser “gente grande” que atropelamos verdades tão singelas. Quando crescer, quero ser igual uma criança!


Autor Desconhecido,
adaptado por Tia Nice

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O CAMELO, A AGULHA E A GRAÇA

É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus (Mc 10.25)

Um homem procura Jesus e ao encontrá-lo se ajoelha e pergunta sobre o que tinha que fazer para conseguir a vida eterna. A pergunta era sincera. Havia nela uma preocupação real com a salvação. Jesus olha para o homem com muito amor e responde: “Só tem uma coisa para você fazer. Vá, venda tudo o que tem e dê o dinheiro aos pobres e assim você terá riquezas no céu. Depois venha e me siga”. O homem virou as costas e foi embora triste porque tinha muitos bens. Foi neste contexto que Jesus fez a afirmação acima.

Quantas interpretações diferentes você já ouviu sobre esse texto? A maioria deixa de lado o rico e se preocupa com o significado de camelo e de agulha. Para resolver o que parece um paradoxo, alguns ensinam que o texto não foi traduzido corretamente. No grego as palavras camelo e corda se parecem. Algum copista confundiu os termos e colocou camelo no lugar de corda. Então ficaria assim: “é mais fácil passar uma corda pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. Outros ainda ensinam que no muro da cidade de Jerusalém havia uma pequena porta chamada fundo de agulha. Os comerciantes retardatários não podiam entrar com seus camelos porque a porta principal era fechada à noite. Então deixavam os camelos do lado de fora e, de joelhos passavam por essa porta pequena. Essas duas interpretações resolvem o paradoxo, mas deixam de lado o que de fato Jesus queria ensinar aos seus discípulos. Jesus faz uso de uma expressão proverbial, de uma linguagem figurada, exagerada para mostrar quão difícil seria para alguém apegado aos bens materiais entrar no Reino de Deus.

Jesus afirma: “Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês” (Lc 12.34). Todos nos precisamos perguntar sobre as riquezas que ocupam o nosso coração. Esta é também a pergunta dos discípulos: “Então, quem é que pode se salvar?” Ao que Jesus respondeu que para os homens era impossível, mas para Deus tudo é possível.

No coração do homem, seja rico ou pobre, bom ou injusto, saudável ou doente, não há espaço para salvação. Sendo assim é impossível para homem entrar no Reino de Deus. Mas para Deus tudo é possível. Ao morrer na cruz em nosso lugar Jesus tornou possível o que era impossível, razoável o que era paradoxo. É a maravilhosa graça de Jesus que torna possível a entrada do homem no Reino de Deus.



Soli Deo Gloria!
Rev. Ezequiel Luz