MEUS PARCEIROS

sábado, 27 de novembro de 2010

ADVENTO E PAZ

“(...) estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Is 2.4).

O noticiário deu ênfase a mega operação destinada a combater os traficantes do Rio de Janeiro. A operação foi desencadeada porque uma onda de violência assola o Rio desde o último domingo, 21, quando criminosos  começaram uma série de ataques e incendiaram vários veículos. Segundo as autoridades os ataques são uma resposta à política de ocupação das favelas pelas UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). A Polícia Militar contou com o apoio de veículos blindados da Marinha, helicópteros da Aeronáutica, soldados do Exército e agentes da Polícia Federal. Centenas de pessoas foram presas, dezenas morreram, e uma quantidade enorme de drogas e armas foram apreendidas. Mas a população está em pânico, tensa. Muitos, diante da invasão dos morros pela polícia, estão buscando refúgio na casa de parentes e amigos. Há uma verdadeira guerra entre a polícia e os traficantes.

Infelizmente, essa operação militar acontece em uma época do ano em que as pessoas se reúnem para discutir como será a decoração de Natal. Vão às lojas que vendem artigos natalinos e compram pinheiros, guirlandas, bolas coloridas, arranjos, velas, luzes. Tudo para aguardar a chegada do natal com muito brilho e colorido. As igrejas também se enfeitam e se preparam para esta comemoração tão significativa para a fé cristã. O ano civil começa no dia primeiro de janeiro, mas o Ano Eclesiástico, isto é o ano da Igreja, começa hoje com o primeiro domingo do Advento. Eis a razão para esta movimentação na direção dos enfeites natalinos.

Advento significa, vinda chegada. Inicia-se um período de preparo para as comemorações do nascimento de Jesus. Mas também somos chamados a nos preparar de forma muito especial para a segunda vinda de Cristo, quando nosso Senhor Jesus Cristo estabelecerá seu Reino. Um dos textos para a esta preparação é a mensagem que o profeta Isaias entrega ao povo de Israel. Ele afirma que quando o Reino de Deus for definitivamente estabelecido, o Senhor será o juiz sobre as nações e muitas intrigas entre os povos serão resolvidas. Por esta razão as nações transformarão suas espadas em arados e suas lanças, em foices. Nunca mais farão guerra, nem se prepararão para batalhas.

Todos que hoje fazem parte da comunidade cristã e que foram  presenteados com a paz devem proclamar que ela só pode ser experimentada quando e onde houver submissão ao Rei Jesus.  Advento significa renovação da expectativa e esperança quanto à implantação definitiva do Reino de Deus. Portanto, oremos pelo povo do Rio de Janeiro, pois Advento é também tempo de interceder pela paz.

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AUTOCONTROLE – UMA NECESSIDADE

“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4.26)

Assisti com muita expectativa aos jogos decisivos da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino. As jogadoras da nossa Seleção são fantásticas. Possuem técnica, habilidade, força no ataque, defesa precisa e bloqueio eficiente. Na semifinal contra o Japão, o Brasil começou perdendo por falta de controle da ansiedade. Recuperou-se e venceu no “tie-break” em uma partida emocionante. Na final contra a Rússia o Brasil jogava bem. Mas a russas demonstravam um controle emocional maior. O Brasil perdeu o jogo e o título mundial.

Na reta final do Campeonato Brasileiro de Futebol tivemos uma partida que gerou muita polêmica: Corinthians e Cruzeiro. O Cruzeiro joga melhor, principalmente no primeiro tempo, mas sofria com alguns erros do bandeirinha na marcação de impedimentos. Dois lances capitais geraram reclamações dos cruzeirenses contra a arbitragem. Um possível pênalti em cima do jogador Thiago Ribeiro do Cruzeiro e outro em cima do Ronaldo do Corinthians. Na opinião do ex-jogador Tostão houve uma disputa de bola com choque físico normal e sem falta nos dois lances. Mas o Juiz só assinalou pênalti a favor do Corinthians. Erros de arbitragem acontecem. Reclamações por parte de jogadores, técnicos e dirigentes vão sempre existir.  Mas o que chama a atenção é o destempero dos cruzeirenses, revelando um descontrole emocional tanto da diretoria como da comissão técnica e dos jogadores. No Vôlei Feminino as brasileiras vinham muito bem no “tie-break”, com dois pontos de vantagem, mas um erro do juiz descontrolou-as e as russas passaram a frente e ganharam o jogo e o campeonato.

O esporte nos ensina a necessidade do autocontrole emocional e mental. Ele é imprescindível para se obter a maturidade em qualquer área da vida. Alguns o vêem como uma característica da personalidade e que alguns têm e outros não. Mas autocontrole é uma qualidade que pode ser adquirida e exercitada. A Bíblia ensina que é possível ficar com raiva sem ser dominado por ela. Quem age sobre o domínio da raiva acaba pecando (Ef 4.26 e Pv 17.14). O controle de nós mesmos nos purifica do egoísmo e, coloca-nos em atitude de serviço a Deus e ao próximo. Temos a nosso favor a afirmação bíblica de que Deus é quem efetua tanto o querer como o realizar (Fp 2.13). Além disso, o Espírito Santo produz em nós o domínio próprio (Gl 5.22,23).

Portanto, para darmos um belo testemunho cristão devemos nos esforçar para controlar nossos sentimentos e emoções, buscando sempre em oração a graça e o poder de Deus (2 Pd 1.5-11). Não só o esporte, mas a política, a igreja e outras instituições humanas têm demonstrado que o autocontrole é uma grande necessidade do nosso tempo.

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

sábado, 30 de outubro de 2010

A REFORMA E O HALLOWEEN

“A justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17)

 Muita gente torce o nariz quando houve falar no Halloween. Os motivos são os mais diversos. Alguns por entendê-lo como manifestação cultural importada. Outros por questões espirituais, por verem na festa elementos anticristãos e demoníacos. Mas importada ou demoníaca a festa é celebrada em boa parte do mundo no dia 31 de outubro, mesmo dia da Reforma Protestante.

Segundo alguns, a origem do nome halloween vem de hallow evening, que significa noite sagrada. A celebração surgiu por volta dos anos 800 a.c. entre o povo celta. Eles acreditavam que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustá-los colocavam nas casas caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas e iluminadas. Durante a Idade Média, por ser uma festa pagã, recebeu o nome de Dia das Bruxas e os seus adeptos eram perseguidos e condenados a fogueira pela inquisição. A Igreja então criou o Dia de Finados, em 2 de novembro, com o objetivo de diminuir as influências pagãs e cristianizar a festa.

A mesma Igreja que na Idade Média perseguia os adeptos do halloweem cresceu em meio as perseguições e provocações do império Romano. Quando o imperador Constantino se converteu, a igreja passou rapidamente de perseguida a protegida; de pobre a muito rica; de minoritária a majoritária. Com o correr dos anos, a Igreja inicialmente fundamentada nos ensinos de Jesus e de seus apóstolos, foi mudando muitas doutrinas e práticas religiosas originais.

Mas na Idade Média, com a construção da Basílica de São Pedro em Roma, chegou-se a um nível insuportável. Para angariar fundos para a obra, a Igreja criou um documento que, assinado pelo papa Leão X, garantia o perdão dos pecados e um lote no céu. Era comercializado com o nome de indulgência. Até mesmo aqueles que já haviam morrido, podiam receber a absolvição de seus pecados, através das indulgências compradas pelos seus entes queridos vivos. No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero fixou 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittemberg, na Alemanha. Era um protesto contra a venda de indulgências promovida pela Igreja de Roma. Lutero não queria promover um cisma, mas sim que a Igreja retornasse as doutrinas e práticas dos cristãos primitivos. Seu ato iniciou um movimento que recuperou doutrinas importantes como a salvação somente pela fé, devolveu a Bíblia ao povo e destrancou a porta que dificultava o relacionamento do homem com Deus.

Hoje ao comemorar mais um Dia da Reforma, tendo como contraponto o Halloween, deve-se perguntar: Será que a pratica espiritual de hoje não se parece com o halloween dos celtas? Será que a Igreja atual não está cometendo o mesmo pecado da Igreja do século XVI? Não se vende mais indulgência como garantia do perdão dos pecados, mas sim promessas de bênçãos e prosperidade material. Também amuletos, como água do rio Jordão, terra da Palestina, óleo ungido de Jerusalém, são vendidos para afastar os espíritos malignos, a inveja, o mau-olhado e atrair a benção de Deus.

Enquanto presenciamos a comercialização e a “haloweenização” da fé cristã a pregação e os ensinamentos das verdades Bíblicas são deixados de lado.  Precisamos urgentemente orar suplicando que novos Luteros se levantem para promover uma nova reforma na Igreja do século XXI.

Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

TAMBÉM SOU CATÓLICO

“(...) e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8b)



Por ocasião dos funerais do Papa João Paulo II, Dom Cláudio Hummes, na época arcebispo de São Paulo, e Dom Eusébio Scheid do Rio de Janeiro, protagonizaram uma polêmica muito interessante sobre a catolicidade do presidente Lula. Scheid dizia que o presidente é "mais caótico que católico". Hummes rebateu afirmando que Lula é "um católico como todos os outros católicos do Brasil" e que o presidente "tem comungado mais vezes" com ele. Depois o arcebispo do Rio recuou, dizendo que Lula não é "suficientemente católico".

Hoje está acontecendo algo parecido em relação aos presidenciáveis. A ISTOÉ desta semana publicou uma capa com “duas caras” de José Serra e mostrando algumas de suas contradições. O mesmo foi feito pela VEJA, duas semanas atrás, com “duas caras” de Dilma na capa. Serra já provocou a ira dos católicos quando Ministro da Saúde, por ter assinado documento favorável ao aborto, por ter distribuído camisinhas a população e ter convidado monges budistas para purificar o escritório político no Edifício Joelma. Nestas eleições o candidato se diz católico tradicional. Dilma deu entrevista favorável ao aborto, mudou de opinião e durante a campanha do primeiro turno não deixou transparecer qualquer tendência religiosa. Agora aparece em missa fazendo o sinal da cruz e se dizendo católica.

Realmente é difícil definir a religião dos dois candidatos à presidência da república. Assim como também é difícil definir qual é a religião do brasileiro. A grande maioria se diz católica porque foi batizada na Igreja Católica Apostólica Romana. Entretanto, muitos frequentam um terreiro de candomblé ali, um centro espírita lá, outro culto acolá, e continuam católicos. E para por mais lenha nessa fogueira, declaro que sou protestante, calvinista, presbiteriano e também católico.

Minha fé, que está fundamentada nas Escrituras, me permite a aceitar o Credo Apostólico como síntese das principais doutrinas do cristianismo, inclusive a afirmação “creio na santa igreja católica”. Também me permite concordar com o Credo Niceno que afirma: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. São quatro adjetivos que descrevem as marcas distintivas da verdadeira Igreja de Cristo. Una porque só existe uma Igreja de Cristo. Santa porque serve a Deus no mundo. Não é perfeita, sem pecado, mas separada do mundo se esforça para refletir, através do serviço aos homens, a santidade de Cristo. Católica porque reúne todos os cristãos verdadeiros de todos os tempos, de todas as comunidades, de todas as nações e de todos os lugares. Não se limita á um tempo, lugar, raça ou cultura. Ela é universal e esse é o significado do termo católico. Apostólica porque se fundamenta no testemunho, doutrina e ensino dos apóstolos. Jesus é a pedra angular, principal desse fundamento.

O problema é que o termo católico é usado para nominar apenas um ramo do cristianismo. Mas mesmo pertencendo a outro ramo do cristianismo posso dizer que sou católico, apostólico, mas não romano. 



Soli Deo Gloria
Rev. Ezequiel Luz

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

OPERAÇÃO RESGATE INACABADA

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.45)

 Estupendo! Sensacional! Magnífico! Emocionante! Creio que se juntássemos a força de todos os adjetivos de nossa língua, ainda seria insuficiente para descrever a operação de resgate dos 33 mineiros que estiveram confinados desde 5 de agosto na mina de cobre San José, em Copiapó, no Chile. A operação começou às 23h18 da terça-feira, dia 12, com o envio do primeiro socorrista e terminou às 21h55 de quarta-feira, dia13, com a saída do último mineiro resgatado. Foram quase 24 horas marcadas por momentos emocionantes. Entre gritos de felicidade, aplausos e festejos, os homens que estiveram 69 dias isolados na mina emergiam à superfície, um de cada vez, na cápsula Fênix, depois de percorrerem 622 metros num túnel escavado na rocha sólida para esse fim. A cada mineiro resgatado a equipe de socorro e os familiares emocionados comemoravam muito.


O segundo mineiro a ser resgatado, o eletricista Mario Sepúlveda, disse: “Estive com Deus e estive com o diabo. Os dois brigaram por mim, e Deus venceu". Talvez sem perceber, o eletricista traduziu o grande interesse de Deus pelo ser humano.  Assim como o governo chileno não desistiu dos mineiros de San José e fez tudo o que podia para resgatá-los, Deus também não desistiu dos seres humanos. A Bíblia de Genesis a Apocalipse revela um Deus missionário. Um Deus que vai ao encontro do homem.  Um Deus que envia Jesus como socorrista. Um Deus que doa a própria vida para salvar o homem, para resgatá-lo da escuridão do pecado e da morte eterna.

Desde o dia 5 de agosto, quando a estrutura da mina cedeu deixando os 33 mineiros presos, as autoridades da área de mineração mantinham a esperança de que eles tivessem encontrado um abrigo onde teria oxigênio e comida estocada. No dia 22 de agosto uma perfuradora alcança o abrigo onde estavam os mineiros e conseguiram estabelecer contato com eles. A partir desse momento eles recebem mensagens de esperança vindas de toda equipe.  Deus também envia aos homens sua mensagem. As Boas Novas do Reino, a mensagem do evangelho marcada pela esperança. Mas as equipes de socorro não ficaram apenas mandando mensagens. Agiram com um esforço fora do comum e produziram o maior resgate na história da mineração. A igreja é a equipe de resgate de Deus. Além da mensagem ela deve reunir todos os esforços e se empenhar com toda a dedicação para alcançar aqueles que estão perdidos na mina escura do pecado e resgatá-los.

A missão do governo chileno de resgatar os mineiros confinados acabou. Mas a Igreja ainda enfrenta o seu grande desafio – a inacabada operação resgate do homem em Cristo Jesus.

Soli Deo Glória
Rev. Ezequiel Luz

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ESTILO DE VIDA RADICAL


"Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui" (Atos 17.6b)

Ao lado de um Brasil promissor, de economia emergente, com lugar destacado entre as futuras grandes potências mundiais, existe outro Brasil, menos promissor que vive sob um manto de problemas sociais graves. Violência, criminalidade, desemprego, desigualdade social, discriminação, falta de escolaridade, são alguns dos problemas crônicos que afetam os pilares da sociedade brasileira, emperram o desenvolvimento econômico e desgastam a imagem do país no Exterior. O Brasil precisa, com urgência, de uma ação social corajosa, firme e determinada com foco na segurança e na qualidade de vida. Sem, contudo, perder de vista o objetivo de oferecer igualdade de oportunidades a todos os brasileiros.

Ao comparar a atual situação do nosso país com situação do mundo onde a Igreja floresceu, percebo um contexto não muito diferente da realidade que vivemos. Na região onde surgiu a democracia, o poder se concentrava cada vez mais nas mãos de poucos e a religião tornava-se personalista com o culto ao imperador. O governo construía cidades, grandes artérias de comunicação, promovia cultura e entretenimento ao povo. A “pax romana” prometia paz, tranqüilidade, liberdade religiosa, desde que não atentasse contra os interesses do estado.

Dentro desse contexto monolítico, o Império Romano começava a dar sinais de desintegração. Vozes discordantes de um povo oprimido se faziam ouvir cada vez mais. Os bárbaros começavam a se mobilizar e mais tarde contribuiriam com a derrocada do Império Romano. Em meio a esse clima de pompa e descontentamento, um grupo de homens e mulheres anunciava ser Jesus o Cristo, o Senhor. Diziam ser necessário que ele morresse e ressuscitasse para concretizar sua missão. Esse grupo, acusado de transtornar o mundo inteiro (At 17.6,7), era chamado “do caminho” e mais tarde veio a ser conhecido como cristão. A mensagem que possuíam não era apenas verbal. Apesar de imperfeitos e de compreensão limitada quanto às implicações da tarefa que haviam recebidos, eles comunicavam ao mundo da época um estilo de vida radicalmente diferente.

Hoje, vivendo um tempo também contraditório, com euforia pelo crescimento econômico e perplexidade diante dos graves problemas sociais, precisamos da coragem dos primeiros cristãos.  Para esse tempo a ordem do Senhor de anunciar as Boas Novas do Reino continua valendo. Obedecê-la é fundamental para a sobrevivência da Igreja. Sendo assim, os cristãos deveriam sentir uma compaixão e uma dor profunda quando o ser humano é vítima da violência, privado de liberdade, educação, saúde, alimentação, moradia. Também deveriam ter o mesmo sentimento quando o ser humano é levado a viver alienado de Deus, por meio da ignorância ou rejeição do evangelho.

Para uma ação evangelística corajosa, a igreja precisa de uma boa base bíblica e teológica, oração incessante e um estilo de vida radical.

Soli Deo gloria
Rev. Ezequiel Luz

sábado, 25 de setembro de 2010

VOTO CONSCIENTE

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”(Rm 12.2a)


Suspeita de tráfico de influência que derruba ministro e funcionários públicos. Detidos pela Polícia Federal governador em exercício e candidato, prefeito, vice-preito, vereadores e empresários, todos suspeitos de envolvimento em licitação fraudulenta, superfaturamento e desvio de verbas públicas. Menções a uma possível distribuição de dinheiro para governador, deputados, tribunal de justiça e ministério público. É a corrupção estendendo seus tentáculos em todos os níveis e envolvendo os poderes constituídos do Estado Brasileiro. Denuncias com vídeos, áudio e depoimentos que nos fazem estremecer.

Mas o que me assusta é descobrir que a corrupção não tem cor ideológica, político-partidária e nem religiosa. Nesse volume de denúncias dos últimos dias os envolvidos são de todos os matizes ideológicos, religiosos, agnósticos e ateus. Assusta-me também, perceber que muitos cidadãos brasileiros não manifestam a menor indignação e não pretendem avaliar melhor seu voto. “Sempre foi assim e vai continua sendo”, afirmam. Já outros se mostram tão indignados que decidem pelo voto nulo. Eu mesmo já declarei: “Vou anular o meu voto em todos os cargos”.

Mas refletindo melhor cheguei a uma conclusão. Votar por votar, sem nenhum critério me faz cúmplice de todas as irregularidades cometidas pelos políticos. Votar em branco ou anular o voto me faz covarde. Tanto o voto branco quanto o nulo não são considerados válidos. Portanto eles não alteram o resultado final da eleição, mesmo que o número de brancos e nulos seja maior do que o candidato mais votado. Pode ser encarado como uma forma de protesto. Mas é como se lavasse minhas mãos e dissesse: “Qualquer um serve” (voto branco) ou: “Nenhum serve” (voto nulo).

Faço aqui um apelo aos cristãos. Temos algo a fazer a esse respeito. Não sobrevivemos como comunidade cristã por dois mil anos nos conformando com este mundo, sendo emoldurados pelas tendências e assimilando descuidadamente as práticas desonestas do nosso tempo. Portanto temos que dar o exemplo votando com qualidade. Primeiro avaliando cuidadosamente o histórico e os compromissos dos candidatos. Assim faremos escolhas racionais e não passionais. Segundo não deixando que os eleitos se escondam atrás do mandato. Precisamos mobilizar a sociedade na formação de comitês, sem ligação partidária, para cobrar e fiscalizar periodicamente o executivo, o legislativo e também o judiciário dos municípios. Sei que esses poderes constituídos se fiscalizam mutuamente. Mas temos o direito de ser informados como cada um deles está se comportando.


Espero que esses escândalos leve ao surgimento de cristãos e cidadãos conscientes que experimentem todos os dias uma renovação mental e assim ofereçam à sociedade uma nova maneira de pensar a vida política do país.